domingo, 21 de maio de 2017

Segunda a noite

Eu vejo o universo inteiro. Com estrelas, constelações, planetas e o ar parado. Eu me sinto segura pois estou inteira e posso observar tudo isso. Está silêncio. As coisas flutuam. Meu corpo era uma coisa dessas a pouco tempo pois estava em pedaços e sozinhos, eles não significam nada. 
Deixei de ser eu e de sentir o que acontecia com meu próprio corpo pois ele já não era meu e sim uma parte perdida no universo. Essa coisa bonita que vejo pela janela me destruiu mas eu quero voltar para lá e sentir o relaxamento mesmo sabendo que vou me desfazer.

sábado, 6 de maio de 2017

Bauru - Campinas

     Aqui estamos. Um ano depois de sair de casa para estudar em outra cidade a quatro horas de distância, enfim peguei minha primeira carona com desconhecidos. Foi um pouco difícil, confesso. Como tudo tem sua peculiaridade da primeira vez. Mesmo assim, não senti medo. Depois de ficar tanto tempo morando longe, aprendi que as vezes é necessário confiar na boa fé das pessoas e, por mais incrível que pareça, tem muita gente do bem nesse mundão.
     Minhas companheiras de viagem são mulheres distintas e maravilhosas - e é sorte ter conseguido carona com mulheres - e você deve estar pensando que me precipito em elogiar alguém cujo meu convívio é de apenas 1:30 (pois ainda estou no meio da viagem) mas te digo que na verdade eu não preciso conhecer.
      Quando se encontra pelo caminho mulheres independentes e bem resolvidas é quase um crime não reconhecer. Quando se encontra uma garota pela estrada que mora a apenas duas semanas sozinhas numa cidade desconhecida e está tudo OK, tendo os sonhos em torno dela e a paz de quem está num sono profundo (essa aqui nem é metáfora) a gente tem que reconhecer, né?
     Tudo bem , admito que estou inspirada por estar voltando para casa, mas não é só por isso. Em plena greve geral para lutar contra os direitos perdidos e os que ainda podem ser perdidos, eu penso: O que seria dessas mulheres sem todos os direitos que as tornam tão maravilhosas? Talvez eu nem pudesse estar aqui, nenhuma delas estaria. Se estivéssemos, duvido que brancas e pretas dividiriam o mesmo carro. Talvez eu nem saberia escrever esse texto...
     Penso que os direitos são mais do que a evolução do mundo, eles geram oportunidade para as pessoas procurarem o seu melhor, viverem suas vidas saudáveis e serem maravilhosas.
Sou a favor da greve. Não quero que se perca o direito de viver, se expressar, de reclamar quando algo não faz bem, de descansar na velhice sabendo que pôde ou se não pôde, pelo menos teve a chance de chegar ao seu ápice de maravilhosidade.
     Não quero que meus filhos me vejam como escrava, nem que deixem de ser maravilhosos por um mundo que os quer como máquinas. Nós não somos, Nenhum ser humano merece ser. Embroa eu ainda tenha muitas angústias, fiquei feliz com essa viagem. Com meus pensamentos. Fazia tempo que eu não refletia assim (não sei como estou conseguindo se tão plena com a minha bexiga irritadíssima com a minha - EU IA FALAR DE VONTADE DE IR NO BANHEIRO E A MOÇA ME PERGUNTOU SE EU QUERIA PARAR SOCORRO QUE SENSE8 - se isso não é a força da minha bexiga eu não sei o que é! 
     Enfim, estou chegando ao meu destino então vou me arrumar para saltar do carro. Como sempre, estava com saudade de vocês, folha e papel. Até a próxima viagem!

domingo, 12 de março de 2017

Um semestre atrasado

     Família, me disseram que a saudade batia na primeira vez que a gente voltava pra casa. Comigo não foi assim. Ela chegou no fim do semestre conturbado, cheio de coisas pra entregar, cozinhar, arrumar, gente difícil de lidar, que não quer trabalhar, sem ter alguém para me apoiar e com a minha ansiedade ao extremo que vocês já sabem como é. Mas tudo bem. 
     Me disseram que morar sozinha era liberdade, e realmente é. Só não me disseram que com essa liberdade vem responsabilidade em dobro, estresse. Requer organização e foco, muito foco para conseguir alcançar os objetivos ao invés de ficar assistindo série o dia inteiro. 
     É, família, cansaram de me dizer que depois do vestibular os problemas só iam começar e eu ignorei. Por um lado, era só complicação inexistente que queriam colocar na minha cabeça - as pessoas gostam de fazer isso - por outro, enfrentei situações das quais jamais algum dia imaginei que passaria.
     Eu nunca fui de falar muito, mas penso em vocês o tempo todo. Não me contaram que só de sentir o cheiro de carne moída com batata eu ia querer voltar para casa. Me senti traída. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Recado para a vida: parte II

 E ai, gata?! Como você está? Não precisa responder não, foi retórico, eu sei que você está ótima! Eu te disse que ia te dar mais atenção e aqui estamos nós, mas QUE atenção, hein. Passamos por bastante coisa, né vida... E você nem é louca de reclamar.
 Algumas coisas ainda são difíceis de aceitar, outras, de lidar, mas fico feliz em conversar com você de novo, vida. Fico feliz pelas suas progressões, pelas pessoas maravilhosas que você realocou no cenário e pelos atores indiferentes que tirou. Acredito que a peça será mais valiosa agora.
  Sei que sempre digo isso, mas é impossível ignorar o fato de que você continua me surpreendendo. A única coisa que não mudou nesses 20 anos é a sua má sorte em aniversários, porque de resto, minha amiga... É cada coisa boa que aparece!
   Espero que você esteja se divertindo, vida. Espero mesmo, é o mínimo que você merece depois de tanto perrengue e renuncia. Tudo bem se não der para gente conversar tanto assim, desde que você continue com seus projetos voluntários, com sua horta e todas as coisas que te fazem feliz.
   Mas te digo uma coisa, te cuida, vida! Não esquece. E se você esquecer, volta aqui para eu te lembrar de todas as coisas boas que já fez. Escreve para mim. Eu sempre vou estar com você.

Abraços!

att. (agora você é adulta acadêmica, é bom usar isso aqui)

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Lápis e papel

   Eu queria ser padrão, acontece que atualmente sou uma colcha de retalhos. Começo meu ano sem nenhuma mudança, então mudo o layout do meu acervo de textos para ver se pelo menos isso me inspira a produzir conteúdo para esse baú velho cheio de sentimentos. Acho que deu certo.
   Por muito tempo a falta de tempo me bloqueou, o anseio de precisar escrever era um dos meus sonhos e, agora que necessito, sou derrubada pelo bloqueio que me acompanha sem ser convidado. Dessa vez, não posso dizer que há falta de sentimentos em mim e por isso não tenho o que expressar, pelo contrário, ando sentindo muito. Nos dois sentidos.
   Pela primeira vez na vida passei um ano inteiro de mudanças drásticas, conhecimentos, primeiras vezes, pessoas, lugares, vivências novas e não relatei ao meu baú de lembranças. Talvez eu nunca vá me perdoar por ter deixado escapar emoções tão fortes dos meus dedos, pois há coisas que a gente só sente uma vez.
   Talvez meu real bloqueio seja a felicidade. Me acostumei tanto a desabafar meus problemas com os lápis que quando estou feliz me esqueço deles. Talvez que nada, essa é uma das certezas que pude comprovar nesse ano inteiro de realizações. A minha relação com as palavras só se dá na tristeza e insegurança.
    Como filha, neta, sobrinha e companheira única, tornei o lápis e o papel meus melhores ouvintes, amigos e é por isso que recorro a eles quando a minha vontade é só chorar. Aprendi desde cedo a guardar as lágrimas em algum lugar. Por isso estou aqui agora, para transbordar de outro jeito. 
   Nesse meio tempo que fiquei longe da minha melhor forma de expressão, o choro compulsivo se tornou parte da minha vida e que susto, amigos! Essa não sou eu. Me esqueci que eu tinha pra quem voltar e, que erro da minha parte.
   Mas o bom de ter pai e mãe como lápis e papel é que eles sempre vão estar comigo não importa onde eu for, nem que seja de maneira digital. Vão me entender e para isso, o principal de tudo, me ouvir. E vão me deixar livre para expressar meus pensamentos e certezas, da maneira que eu quiser. 
   Assim eu pretendo voltar, com tudo novo, limpo e com o coração leve. Com as palavras boas e o sinônimo delas, pois o lápis e o papel só refletem o que tem dentro da gente e eu não quero decepcionar.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Fiz bolo

   Fiz bolo. Dessa vez, não pela vontade de comer, mas pelo que ele pode me proporcionar. Não que eu não queira comer bolo - muito pelo contrário - mas numa fase que eu não tenho nem vontade de levantar da cama, às vezes, a simples motivação de fazer algo torna-se útil. 
   Fiz bolo principalmente pelo passa-tempo, já que não tenho tido tanta fome ultimamente, para ter que prestar atenção, com o que se preocupar, se orgulhar, se ocupar, para ter um momento de paz, satisfação e prazer.
   Fiz bolo para mostrar para mim que eu ainda sou gente, ainda sou capaz, ainda tenho habilidade de concentração, ainda consigo apreciar o amor (porque vamos combinar que bolos são a pura personificação dele) e que existem coisas pelas quais valem a pena seguir em frente.
   Fiz bolo para sentir um cheiro bom, tocar em alguma coisa macia, lembrar como as coisas são doces e que pra isso acontecer, açúcar nem sempre é o ingrediente mais importante. Para provar o gostinho de acolhimento que só um bolo quentinho traz e me certificar que o companheirismo existe, pois não há melhor companhia do que um pedaço de bolo num dia frio.
     Eu fiz um bolo para dar de presente para o meu coração que anda meio doente, precisando de silêncio e aconchego. Um bolo de energia revitalizante, com o mesmo poder de um abraço que é pra ver se ele se recupera mais rápido... Eu vou testando e tentando, se não tiver ajudado, tudo bem, amanhã eu faço outro de diferente sabor. Uma hora ele vai me agradecer.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

É pequeno mas é inteiro

      Mais uma vez na vida eu escrevo sem pensar para entender o que penso. Mais uma vez a parede me inspira e arranca de mim os pontos de interrogação. Não é sempre que esses pontos tem um complemento final, mas todas as vezes sinto que cheguei ao meu fim.
   Como mais um dos meus dias normais, hoje as palavras me abraçam mais do que qualquer abraço e responde dúvidas que nem sequer sei que tenho. A angústia junta as minhas sobrancelhas e torna minha expressão indecifrável, já que também não sei o que expressar pois também não me decifrei.
   Me sinto mal, confesso. Não era para sentir. De todas as formas. Percebo que virei estatística em uma geração cuja felicidade é individual e já não sei se meus atos são influenciados pela minha personalidade ou pela pressão social. No caso, dos dois lados.
   Dona de uma alma singular acostumada a vagar no espaço sem correntes, me assusto ao ser cobrada pela terra o contato com meus pés. Desaprendi a andar junto, sem um pé o outro cai, a vida não sustenta, já a alma, só basta ir...
   E eu quero ir não sei para onde, não sei com quem, para fazer não sei o que, em algum dia por aí. Essa história de deixar tudo catalogado, acertado, combinado para satisfazer a especulação alheia não é costume de alma livre, não.
   Mas até quando ela continuará assim? É uma espera, uma insegurança, um bloqueio, uma frigidez... Só um especialista para saber. Então, como aprendeu em todas as aventuras que viveu no vale da imaginação, minha alma resolveu arriscar. Talvez o chão seja interessante também. Ouviu dizer alguma vez "tudo vale a pena se a alma não é pequena" e, de pequena, ela só tem o nome.