quarta-feira, 16 de maio de 2012

Ilusão






 Não foi um sonho, tenho quase certeza de que foi uma alucinação. Com todas as minhas noites conturbadas, atrapalhadas por músicas, sonhos, pesadelos, pensamentos, não sei se estava realmente acordada ou cochilei por um momento, porque foi muito perfeito, sabe aquele tipo de sonho que você consegue sentir o cheiro da pessoa? Eu não sabia até então, quer dizer, eu nem sei se foi um sonho aquilo, ou se os meus malditos pensamentos são levados de manhã para o mesmo lugar que vão a noite. Pode ter sido alucinação, ou só minha mente me traindo e sempre pensando na vida, mas logo de manhã menina? É, de noite você não está em condições para pensar em nada. Ô anjo da guarda, cadê você para me proteger do bicho papão hein? Bicho papão danado, disfarçado, lobo na pele de cordeiro, ou eu que transformo as coisas boas em ruins mesmo. Não, não sou eu. Ta bom, sou eu sim. Tenho que admitir, as melhores coisas, os melhores sonhos agora são os meus piores tormentos, o bicho papão conseguiu converter em poucas palavras todos os meus sonhos em pesadelos, tirou minha esperança, tirou tudo mesmo. Tirou até a alegria, que me fez acreditar naqueles poucos segundos que tudo aquilo era real, até agradeci a Deus, acredita?  Quando abri os olhos, a única coisa que enxerguei foi o vazio, a parede branca do meu quarto que fez questão de lembrar que a única coisa que eu tinha pra me consolar naquele momento era nada mais, nada menos, que o nada. Eu fiquei uns dez minutos sem reação, me perguntando por que eu não continuei dormindo, por que eu não me contentei com aquela ilusão que naquele momento era tão real ao ponto de me fazer sentir bem por um instante. E como de praxe respirei fundo, levantei, ergui a cabeça e comecei o meu dia com aquele sorriso ilusório que só quem sabe, sabe como é. 

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