segunda-feira, 10 de junho de 2013

2 de Junho

   Simplesmente deixei o dia passar pois não presto mais atenção no calendário. Perdi a noção do tempo, das horas, perdi a noção de mim, de você... Perdi as idéias, perdi a mão das palavras, perdi o coração e sendo assim, perdi os textos também. 
   Eu lembrei do dia, não pense que passou em vão e, por isso me recusei a dar um passo sequer. Se não fosse para me encontrar com você, sentado em qualquer lugar, com qualquer roupa, em qualquer banco, com qualquer cara deslavada eu não levantaria. E assim foi feito.
   Fiquei o domingo inteiro lembrando de tudo o que eu passei todo esse tempo jogando para de baixo do tapete, fingindo que era feliz. Chorei, chorei mesmo, e dai? Senti sua falta também, estava pensando em você quando vi sua foto de imagem magra, e até doeu o coração.
   Queria escrever mais, queria conseguir te descrever, queria sentir o abraço, o seu cheiro outra vez ou colocar em palavras a cor líquida que tem os seus olhos ao sol. Queria dizer também como fui estúpida aquele dia e te peço perdão por isso, me arrependo por ter perdido tanto tempo, por só perceber seu valor muito tempo depois, por não ter aproveitado o sol ao máximo enquanto ele era meu. Queria dizer tanta coisa, mas você foi embora e as minhas palavras foram escondidas na sua mala, o que eu posso fazer?!
   Ouvi aquela música bonita que a gente cantou junto esses dias, e percebi que deveria ter dado mais importância à letra, assim como pra você. Me desculpe se sou retardatária em assuntos como esse. Deixei as lágrimas caírem novamente e cantei como se não houvesse amanhã, tinha que seguir a música pelo menos uma vez na vida, mesmo que fosse tarde. Só não me joguei da janela do quinto andar porque moro no terceiro.
   Só queria contar para você e deixar claro pra mim mesma que ainda existem lembranças apesar de tudo, mas agora as minhas lágrimas não queimam mais. Só de vez em quando. Porém, não sei se isso é bom ou ruim. E a saudade aperta; Não menos, nem as vezes, sinto falta das conversas, de alguém me entender, de rir de verdade, todos os dias. Você foi o único que, eu acho, chegou até o fim entende?! O único que pude ser eu. Mas tudo bem.
   Começo a pensar que não foram só minhas palavras que entraram na sua mala, peguei um livro para ler esses dias e não me interessei, na verdade, não me interesso por muita coisa mais. Quando te escrevi meio torto que sem você tudo no mundo perdia a graça eu não estava mentindo, até dormir ultimamente tem me irritado, olha que absurdo! Sonhei com você noites seguidas e, geralmente eu logo encontro as pessoas com que sonhei; acordei frustrada por saber que não te veria tão cedo aliás, se é que algum dia voltarei a te ver.
   Fui praí um dia desses.  Minha loucura era tão grande que eu te projetei em cada canto daquelas ruas, via narizes igual ao seu, enxergava você em todas as pessoas, temi ser vista dormindo no carro, ou no meu estado crítico desleixado, até esbarrei em você sem querer na minha imaginação.
   Há 365 dias atrás, estava eu com meus docinhos de uva, falando do meu ex idiota para um cara que não significava nada para mim. Hoje, por incrível que pareça eu falo desse cara insignificante de 365 dias atrás com a maior das dores possíveis no peito por ter deixado ele, se tornar parte do meu passado.


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