quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Palavras transcritas

 
 Foram-se embora. Levaram consigo as histórias, os sentimentos, as emoções, as minha lágrimas, o meu coração, as músicas, a calma, tudo o que há de mais profundo enfim foi-se para algum lugar... Quando? Eu nem me lembro mais.
   Foi-se embora a minha essência. Tanta coisa a acompanhava que surpreendeu-me ter cabido tudo em uma bagagem só. Me deixou a poesia, a ternura, o lado bom da vida, para quem sabe, quando, voltará?
   Já não sou mais eu. O eu, escrevia. E quem será que escreve agora disfarçado de mim? Estava com saudade de me reconhecer, assim, nas entrelinhas de um caderno abandonado, no meio da noite, sem motivo real nenhum, sem cobranças e regras, sem sentimentos também.
   Talvez eu tenha deixado tudo, tudo ir embora, escorrer pelas minhas mãos sem perceber e, agora, quando me deparo num momento repentino de lucidez para analisar a mim mesma, desconheço quem sou.
   Ter medo de que? De me tornar alguém que eu não suportaria? Maybe. Pior é o medo de não deixar marcado esses devaneios pois eles, sim, mostram realmente quem sou. Assim exponho meus medos e até, meu inconsciente; Sendo possível me auto-conhecer a cada vez que me leio.
   Desse modo, é por isso que me levanto a essa hora da madrugada, às vésperas de prova, para me certificar de que, mesmo que as palavras, estas mesmas que aqui escrevo, não me abandonaram por completo.
   Por incrível que pareça para mim mesma, ainda resta um pouco de quem eu sou, ainda há resquícios de mim dentro dessa casca; Esqueço-me pois estou perdida, assim, como perdi as palavras há tempos atrás.
   É isso! Elas não me abandonaram, eu é que as deixei partir.

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