segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Acabo de decidir:


  Vou passar uns tempos na Itália. Vou ser ser eu, vou honrar meu nome. Vou viver nas Oliveiras, nos vinhos, nas flores, nas massas, nas giovannas, nos palavrões e nos Romagnolis. Vou ficar nas casinhas que dão de porta para rua e ser quase atropelada pelas lambretas (isso se eu estiver atenta, ao contrario serei levada e ainda xingada por estar no meio do caminho). 
  E vou falar muito com as mãos, ah, se vou! A expressão não vai caber em mim - já que nem tenho tanto espaço para guarda-la - a arte toMará ainda mais conta das ruas, os gritos serão minha inspiração. Assim, meu corpo ficará feliz, minha mente ficará grata, minha alma ficará leve e espero, que as pessoas ao redor entrem nessa melodia de viver comigo. 
  Além disso, vou xingar muito! Agradeço pelos palavrões daqui serem considerados apenas formas de expressão, lá. Acredito que os italianos têm consciência de que palavrão é ódio e miséria e não porra e caralho, que traduzido para o português clássico não passa de excreção e uma parte do aparelho excretor masculino. 
   O que me atrai na Itália é a veracidade da comunicação, já que não tem como esconder nenhuma intenção e sentimento quando se fala duas vezes (com a boca e com gestos). Desse jeito, os italianos deviam ensinar para os brasileiros que filho da puta não é palavrão, até porquê, existem mais filhos de putas honestos aqui, do que pessoas "de bem"...
   Os brasileiros deveriam aprender e ensinar que palavrão não é cacete, palavrão é roubo, é descaso e é mentira. De modo que os brasileirinhos aprenderiam nas escolas que palavrão é não estudar, e que não há nada mais justo do que tacar o foda-se para quem o fez mal, já que a vingança não leva a lugar algum, muito menos a feita com as próprias mãos.
  Já era para os brasileiros terem entendido que quando algo não agrada, o correto é falar, é xingar, é gesticular e fazer um escarcéu até tudo estar nos conformes. É rodar a baiana mesmo! Eu ja estou cansada dessa pacacidade, desse conformismo,  preciso de pessoas que mostrem os verdadeiros palavrões e façam alguma coisa para resolvê-los...
   Pensando bem, vou-me embora pra Pasárgada!