segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Fiz bolo

   Fiz bolo. Dessa vez, não pela vontade de comer, mas pelo que ele pode me proporcionar. Não que eu não queira comer bolo - muito pelo contrário - mas numa fase que eu não tenho nem vontade de levantar da cama, às vezes, a simples motivação de fazer algo torna-se útil. 
   Fiz bolo principalmente pelo passa-tempo, já que não tenho tido tanta fome ultimamente, para ter que prestar atenção, com o que se preocupar, se orgulhar, se ocupar, para ter um momento de paz, satisfação e prazer.
   Fiz bolo para mostrar para mim que eu ainda sou gente, ainda sou capaz, ainda tenho habilidade de concentração, ainda consigo apreciar o amor (porque vamos combinar que bolos são a pura personificação dele) e que existem coisas pelas quais valem a pena seguir em frente.
   Fiz bolo para sentir um cheiro bom, tocar em alguma coisa macia, lembrar como as coisas são doces e que pra isso acontecer, açúcar nem sempre é o ingrediente mais importante. Para provar o gostinho de acolhimento que só um bolo quentinho traz e me certificar que o companheirismo existe, pois não há melhor companhia do que um pedaço de bolo num dia frio.
     Eu fiz um bolo para dar de presente para o meu coração que anda meio doente, precisando de silêncio e aconchego. Um bolo de energia revitalizante, com o mesmo poder de um abraço que é pra ver se ele se recupera mais rápido... Eu vou testando e tentando, se não tiver ajudado, tudo bem, amanhã eu faço outro de diferente sabor. Uma hora ele vai me agradecer.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

É pequeno mas é inteiro

      Mais uma vez na vida eu escrevo sem pensar para entender o que penso. Mais uma vez a parede me inspira e arranca de mim os pontos de interrogação. Não é sempre que esses pontos tem um complemento final, mas todas as vezes sinto que cheguei ao meu fim.
   Como mais um dos meus dias normais, hoje as palavras me abraçam mais do que qualquer abraço e responde dúvidas que nem sequer sei que tenho. A angústia junta as minhas sobrancelhas e torna minha expressão indecifrável, já que também não sei o que expressar pois também não me decifrei.
   Me sinto mal, confesso. Não era para sentir. De todas as formas. Percebo que virei estatística em uma geração cuja felicidade é individual e já não sei se meus atos são influenciados pela minha personalidade ou pela pressão social. No caso, dos dois lados.
   Dona de uma alma singular acostumada a vagar no espaço sem correntes, me assusto ao ser cobrada pela terra o contato com meus pés. Desaprendi a andar junto, sem um pé o outro cai, a vida não sustenta, já a alma, só basta ir...
   E eu quero ir não sei para onde, não sei com quem, para fazer não sei o que, em algum dia por aí. Essa história de deixar tudo catalogado, acertado, combinado para satisfazer a especulação alheia não é costume de alma livre, não.
   Mas até quando ela continuará assim? É uma espera, uma insegurança, um bloqueio, uma frigidez... Só um especialista para saber. Então, como aprendeu em todas as aventuras que viveu no vale da imaginação, minha alma resolveu arriscar. Talvez o chão seja interessante também. Ouviu dizer alguma vez "tudo vale a pena se a alma não é pequena" e, de pequena, ela só tem o nome.