segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Fiz bolo

   Fiz bolo. Dessa vez, não pela vontade de comer, mas pelo que ele pode me proporcionar. Não que eu não queira comer bolo - muito pelo contrário - mas numa fase que eu não tenho nem vontade de levantar da cama, às vezes, a simples motivação de fazer algo torna-se útil. 
   Fiz bolo principalmente pelo passa-tempo, já que não tenho tido tanta fome ultimamente, para ter que prestar atenção, com o que se preocupar, se orgulhar, se ocupar, para ter um momento de paz, satisfação e prazer.
   Fiz bolo para mostrar para mim que eu ainda sou gente, ainda sou capaz, ainda tenho habilidade de concentração, ainda consigo apreciar o amor (porque vamos combinar que bolos são a pura personificação dele) e que existem coisas pelas quais valem a pena seguir em frente.
   Fiz bolo para sentir um cheiro bom, tocar em alguma coisa macia, lembrar como as coisas são doces e que pra isso acontecer, açúcar nem sempre é o ingrediente mais importante. Para provar o gostinho de acolhimento que só um bolo quentinho traz e me certificar que o companheirismo existe, pois não há melhor companhia do que um pedaço de bolo num dia frio.
     Eu fiz um bolo para dar de presente para o meu coração que anda meio doente, precisando de silêncio e aconchego. Um bolo de energia revitalizante, com o mesmo poder de um abraço que é pra ver se ele se recupera mais rápido... Eu vou testando e tentando, se não tiver ajudado, tudo bem, amanhã eu faço outro de diferente sabor. Uma hora ele vai me agradecer.

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