sábado, 6 de maio de 2017

Bauru - Campinas

     Aqui estamos. Um ano depois de sair de casa para estudar em outra cidade a quatro horas de distância, enfim peguei minha primeira carona com desconhecidos. Foi um pouco difícil, confesso. Como tudo tem sua peculiaridade da primeira vez. Mesmo assim, não senti medo. Depois de ficar tanto tempo morando longe, aprendi que as vezes é necessário confiar na boa fé das pessoas e, por mais incrível que pareça, tem muita gente do bem nesse mundão.
     Minhas companheiras de viagem são mulheres distintas e maravilhosas - e é sorte ter conseguido carona com mulheres - e você deve estar pensando que me precipito em elogiar alguém cujo meu convívio é de apenas 1:30 (pois ainda estou no meio da viagem) mas te digo que na verdade eu não preciso conhecer.
      Quando se encontra pelo caminho mulheres independentes e bem resolvidas é quase um crime não reconhecer. Quando se encontra uma garota pela estrada que mora a apenas duas semanas sozinhas numa cidade desconhecida e está tudo OK, tendo os sonhos em torno dela e a paz de quem está num sono profundo (essa aqui nem é metáfora) a gente tem que reconhecer, né?
     Tudo bem , admito que estou inspirada por estar voltando para casa, mas não é só por isso. Em plena greve geral para lutar contra os direitos perdidos e os que ainda podem ser perdidos, eu penso: O que seria dessas mulheres sem todos os direitos que as tornam tão maravilhosas? Talvez eu nem pudesse estar aqui, nenhuma delas estaria. Se estivéssemos, duvido que brancas e pretas dividiriam o mesmo carro. Talvez eu nem saberia escrever esse texto...
     Penso que os direitos são mais do que a evolução do mundo, eles geram oportunidade para as pessoas procurarem o seu melhor, viverem suas vidas saudáveis e serem maravilhosas.
Sou a favor da greve. Não quero que se perca o direito de viver, se expressar, de reclamar quando algo não faz bem, de descansar na velhice sabendo que pôde ou se não pôde, pelo menos teve a chance de chegar ao seu ápice de maravilhosidade.
     Não quero que meus filhos me vejam como escrava, nem que deixem de ser maravilhosos por um mundo que os quer como máquinas. Nós não somos, Nenhum ser humano merece ser. Embroa eu ainda tenha muitas angústias, fiquei feliz com essa viagem. Com meus pensamentos. Fazia tempo que eu não refletia assim (não sei como estou conseguindo se tão plena com a minha bexiga irritadíssima com a minha - EU IA FALAR DE VONTADE DE IR NO BANHEIRO E A MOÇA ME PERGUNTOU SE EU QUERIA PARAR SOCORRO QUE SENSE8 - se isso não é a força da minha bexiga eu não sei o que é! 
     Enfim, estou chegando ao meu destino então vou me arrumar para saltar do carro. Como sempre, estava com saudade de vocês, folha e papel. Até a próxima viagem!

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