sexta-feira, 2 de junho de 2017

Amor, eu não preciso de você

       As pessoas sempre me falam que eu não posso guardar pensamentos, sentimentos, bravura e tremedeiras. As pessoas sempre me falam o que eu devo ou não fazer. O que eu devo ou não falar. O que eu devo ou não guardar. Sendo que eu não devo nada para elas, quando eu não devia dever nada.
Talvez precisem entender que deveres são diferentes de formas de lidar com as coisas, com o mundo, de resolver problemas, de seguir a vida. Uma personalidade não deve ser, dever, estar com nada. Uma personalidade só precisa dela mesma e nada mais.
É aí que entra o verbo precisar. Obrigada por ter surgido em minha mente, pois necessito repetir algumas vezes para me fazer entender que se o outro não entende eu não devo desentender, pois eu não devo nada. Eu não preciso de você. Eu não preciso de você. Eu não preciso de você. Não preciso.
Seres humanos, as pessoas não precisam e não devem seguir as regras que vocês impõem. O mundo inteiro não precisa agir da forma como vocês acham melhor. Parem de me ditar, de me mandar, de me prender. Eu gosto de quem eu sou e gosto da forma como vejo e lido com o mundo. Eu sou assim.
Eu não preciso que alguém me defenda. Eu não preciso que alguém brigue por mim. Eu não preciso que alguém tire a minha voz porque acha que sabe quais serão as minhas palavras e, mesmo se souber, eu não preciso. Eu tenho boca, eu tenho língua, eu possuo capacidade mental e psicológica pra formular frases e tentar mudar algo que me incomoda (se incomodar).
Sociedade, pare de me rotular pela minha altura, pelo timbre da minha voz, pelo meu tom de pele, pelo rosto que ilustra um personagem. Pare de me tratar como inferior. Incapaz. Frágil. E não me venha com a conversa subversiva da minha imensa ingratidão. Que eu me lembre eu nunca pedi um príncipe no cavalo branco para me salvar das garras de um mundo cruel. Já que eu não preciso disso.
Eu cansei de quererem me obrigar a ter uma voz mas só se for a que fala o que se é agradável de ouvir. Eu não sou um ventríloquo. Ou melhor, eu não sou uma boneca. Meu dever não é garantir o divertimento alheio, nem sorrir, nem acenar, nem nada. Pois eu não devo nada. Ou não deveria dever. 
Minha fantasia do dia não me torna quem eu sou, ou melhor, estou. O estereótipo da década não me muda, não deveria te mudar em relação a mim. O meu peso, as minhas roupas, a minha arcada dentária, a minha unha - dá para acreditar que até a parte morta influencia? - não deveriam ser tão importantes, porque não são. E isso me incomoda.
Ninguém precisa disso.

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